Uma troca de mensagens entre Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, divulgada nessa terça-feira (01) pelo jornal Estado de São Paulo, indica que o ministro teria orientado o ex-dono do Banco Master sobre a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo. O suposto vazamento de informações privilegiadas feito pelo ministro ao investigado, teria a finalidade de ajudá-lo a fugir do Brasil, antes de ser preso.
No dia 15 de novembro de 2025, um sábado, Vorcaro questiona Moraes:
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”
Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular, possivelmente para fugir. A suspeita é que Alexandre de Moraes não tenha dado a informação precisa ou o ministro André Mendonça, responsável pela investigação, antecipou a prisão, já prevendo eventual vazamento.
Vorcaro foi alvo de uma operação que mirava a venda de títulos de crédito falsos. A instituição emitia CDBs com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado. No entanto, segundo as investigações na época, esse retorno era irreal.
Um dia antes de ser preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, no dia 16, domingo, Vorcaro mandou novo questionamento ao ministro pelo WhatsApp.
“Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”
Em outra mensagem, também no dia 16, Vorcaro sugere um encontro com Moraes:
“às 14h então, na sua casa ou na minha?”
O banqueiro continua se dizendo “perplexo”
“Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso meu Deus”
Os diálogos estão em um relatório enviado pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF), que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça. O material também foi enviado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
As respostas que Alexandre de Moraes deu a Vorcaro não aparecem no relatório porque as conversas não eram digitadas no WhatsApp. Eles escreviam as mensagens no Bloco de Notas, tiravam print e enviavam um ao outro como imagem em visualização única. Esse modo de envio não permite a recuperação do conteúdo. Com uso de tecnologia avançada, a PF conseguiu recuperar apenas uma parte das conversas.






