Dois dias após ser eleito e no dia que apresentaria na Câmara Municipal um projeto de lei supostamente antifacção, o prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avanate) foi afastado do cargo pra justiça, acusado de desviar dinheiro público para financiar uma facção criminosa da cidade. Dois secretários da prefeitura de João Pessoa, um deles o ex-prefeito de Cabedelo, Vítor Hugo, também são investigados.
A Operação Crítico, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (14), apura infiltração de facções criminosas na administração pública de Cabedelo. Edvaldo assumiu a Prefeitura interinamente após o prefeito André Coutinho e a vice Camila Holanda terem os mandados cassados em 2025 pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. Em eleição suplementar, realizada no último domingo (12), Edvaldo foi eleito com 64% dos votos.
O esquema investigado teria se valido da contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra vinculadas à facção criminosa “Tropa do Amigão”, braço do “Comando Vermelho”, com infiltração de faccionados em estruturas da Prefeitura de Cabedelo/PB, circulação de valores de origem pública em favor do crime organizado e utilização de contratos administrativos como instrumento de manutenção de poder, influência territorial e blindagem institucional.
A investigação revelou a existência de um consórcio entre agentes políticos da alta cúpula do município, empresários e integrantes de organização criminosa, voltado à perpetuação de contratos milionários e à distribuição de vantagens ilícitas, cujo valor pode chegar até R$ 270 milhões.
Com o afastamento de Edvaldo Neto, quem deve responder pelo município é o presidente da Câmara Municipal, vereador José Pereira.
Suposta Lei antifacção
Um detalhe que chamou atenção é que, na segunda-feira (13), Edvaldo Neto havia anunciado o envio à Câmara Municipal, nessa terça-feira (14), de um projeto de lei que teria a intenção de barrar nomeação na prefeitura de pessoas ligadas a facções criminosas.
A medida foi vista como uma tentativa de álibi pra se defender da acusação de envolvimento com o crime, por já saber que era investigado pela PF.






